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Foto: PiggyBank / Unsplash
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RWA chega ao Brasil pelas portas que ninguém esperava

Tokenização de ativos do mundo real (Real World Assets) deixou o ambiente cripto-puro e ganhou tração via gestoras tradicionais e fintechs reguladas.

Camila Ramos

Repórter

RWA, sigla pra Real World Assets, virou uma das narrativas mais ouvidas no ambiente cripto global. A ideia é simples: trazer ativos do mundo real (títulos, recebíveis, imóveis, fundos imobiliários) pra trilhos de blockchain. No Brasil, o movimento ganhou contornos interessantes.

A entrada por onde não se esperava

Quem acompanhava o assunto desde 2018 imaginava que a frente seria liderada por crypto-nativos. Startups blockchain-first, gestores de DeFi, comunidade técnica. Aconteceu o contrário.

As primeiras operações relevantes no Brasil vieram de gestoras tradicionais explorando o produto, fintechs reguladas testando emissões e plataformas que começaram com aderência regulatória total. O ecossistema cripto-puro participou, mas não liderou.

Faz sentido. RWA exige integração com sistema financeiro tradicional, escritura de advogado, contabilidade, custódia. A galera regulada já tinha esses processos rodando. Faltou só a camada técnica.

O que está sendo tokenizado

Recebíveis comerciais lideram. São padronizáveis, têm prazo curto, mercado já existia (FIDC). Tokenização adiciona fracionamento e rastreabilidade, mas o produto financeiro de base é familiar.

Em segundo, títulos de crédito privado. Debêntures, CRIs, CRAs. A demanda vem de investidor qualificado que busca exposição a renda fixa com ticket menor.

Em terceiro, e mais experimental, fundos imobiliários ou cotas de imóveis específicos. Aqui a regulação é mais delicada e o produto tem mais arestas a aparar.

Os obstáculos remanescentes

Apesar do avanço, três obstáculos seguem.

Custódia digital. Investidor de varejo que compra token precisa saber onde guarda. Wallet própria, wallet custodiada, conta da plataforma. Cada modelo tem trade-offs de segurança e usabilidade.

Liquidez secundária. Operação primária é a parte fácil. Mercado secundário pra revender token antes do vencimento ainda não existe com fluidez no Brasil.

Tributação. Como tratar ganho de capital em token, ICMS em transferência, IOF em operação. Algumas dúvidas foram esclarecidas, outras seguem em aberto.

O perfil que entra

O investidor que entra hoje em RWA brasileiro tende a ser qualificado, com algum entendimento técnico de blockchain (mesmo que mínimo) e disposto a aceitar liquidez reduzida em troca de retorno acima da renda fixa tradicional.

Não é produto pra investidor de poupança. É produto pra quem já distribui entre renda fixa, ações e fundos imobiliários, e quer alocar percentual pequeno em algo novo.

O próximo capítulo

A evolução do RWA no Brasil deve seguir três vetores. Padronização técnica (smart contracts compatíveis entre plataformas), regulamentação mais detalhada (CVM e Bacen ajustando regras) e construção de mercado secundário (plataformas oferecendo bid/ask em tempo real).

Quando esses três avançarem juntos, o produto deixa de ser experimental e vira mais um caminho legítimo de alocação. O timing pra isso é incerto, mas a direção parece firme.

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