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Foto: Conny Schneider / Unsplash
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CRA tokenizado: BCB regulamenta e RWA brasileiro ganha primeiro framework

Resolução define emissão, custódia e registro distribuído. Mercado secundário pode operar com tickets fracionados a partir de agosto

Camila Ramos

Repórter

O Banco Central regulamentou esta semana a emissão e custódia de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) tokenizados. É o primeiro framework formal pra Real World Assets (RWA) no Brasil, abrindo caminho pra outros instrumentos.

O que muda

A resolução estabelece três pontos. Emissão em blockchain autorizada pelo BCB, com lastro idêntico ao CRA tradicional, recebíveis do agronegócio originados de operações comerciais. Custódia de chaves criptográficas em ambiente segregado, com auditoria periódica. Registro com timestamp blockchain reconhecido como prova legal.

A grande mudança é fracionamento. CRAs tradicionais têm tickets na casa de R$ 50 mil; a versão tokenizada pode ser fracionada até R$ 100, ampliando o universo de investidores. Liquidez secundária também passa a ser viável em mercados organizados, com liquidação em segundos.

O que isso destrava

O CRA tokenizado é o primeiro de uma fila. CDB, LCI, LCA, debêntures, FIDC, todos podem ganhar versões tokenizadas seguindo o mesmo modelo. Players que já operam em DLT (B3, gestoras institucionais com braço cripto, fintechs reguladas) saíram na frente.

O movimento mais imediato deve ser em fundos imobiliários e fundos de direitos creditórios, instrumentos onde fracionamento já era pleito antigo de investidores PF.

Onde a fricção segue

Dois pontos. Custódia: implementação de cold storage em escala institucional ainda é cara e exige expertise específica. Apenas grandes bancos e cripto-nativas têm. E educação do investidor: maior parte dos investidores PF não entende RWA tokenizado, e a comunicação ainda é confusa.

O próximo trimestre deve mostrar quem tá pronto e quem ainda tá adaptando.

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