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Foto: ALEXANDRE LALLEMAND / Unsplash
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Open Banking europeu inspirou o Brasil mas evoluímos diferente

O modelo brasileiro de compartilhamento de dados financeiros começou inspirado na PSD2 europeia, mas seguiu rota própria.

Pedro Andrade

Editor-chefe

Comparar o Open Banking brasileiro com o europeu rende lições interessantes. A PSD2 foi pioneira e inspirou esforços globais. Mas o Brasil escolheu caminho diferente em pontos importantes.

A PSD2 como referência

A PSD2 entrou em vigor na Europa em 2018. Conceito central: bancos tradicionais obrigados a oferecer APIs pra fintechs autorizadas acessarem dados de cliente, mediante consentimento.

A implementação foi desigual. Cada país adotou particularidades. Alguns mercados destravaram inovação rápida (Reino Unido); outros tiveram adoção mais lenta.

O que o Brasil fez diferente

Bacen lançou Open Finance (não só Open Banking) com escopo mais amplo desde o início. Contas correntes, cartão, crédito, investimentos. A PSD2 começou com escopo mais restrito.

Modelo de governança também diferiu. Brasil criou estrutura formal entre instituições e Bacen pra gerir padrões técnicos. Europa deixou mais por conta de iniciativas privadas.

Calendário foi mais agressivo. Brasil entrou em fases rápidas. Europa teve cronograma mais relaxado.

Os resultados comparados

Adoção pelo consumidor final em ambos países é mais baixa que o esperado pelos arquitetos. Pesquisas mostram que maioria dos correntistas, em qualquer dos dois lados, nem sabe que pode compartilhar dados.

Onde o impacto foi visível é em fintechs. Tanto Brasil quanto Europa viram aparecer produtos baseados em dados de Open Banking/Finance. Análise de crédito mais fina, agregação de contas, planejamento financeiro automatizado.

As lições recíprocas

Brasil aprendeu com erros europeus. Padronização técnica mais rigorosa, sandbox pra teste de produtos, governança formal.

Europa também observa o Brasil. Escopo ampliado (Open Insurance, futuramente Open Investment) e ritmo agressivo são vistos como modelo a estudar.

O cenário maduro

Próxima fase global de Open Finance deve combinar escopo (mais verticais), interoperabilidade (dados que cruzam fronteiras com consentimento) e portabilidade (cliente leva histórico financeiro de um país pra outro).

Brasil tende a continuar ambicioso. Por enquanto, segue como case de observação internacional. O sucesso depende de adoção pelo consumidor e de produtos que entreguem valor real, não apenas conformidade regulatória.

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