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Foto: Jonas Leupe / Unsplash
Análise2 min de leitura

Por que o Pix virou referência mundial em infraestrutura de pagamento

O sistema brasileiro de transferências instantâneas combina escala, gratuidade e ubiquidade que poucos países conseguiram replicar.

Pedro Andrade

Editor-chefe

O Pix começou como obrigação regulatória pros grandes bancos e virou, em poucos anos, parte do tecido econômico brasileiro. Há vendedor ambulante que não aceita dinheiro, há comércio que oferece desconto pra pagar via Pix, há aplicativo de delivery que abandonou cartão como meio principal.

Pra entender por que essa transformação foi tão rápida, vale separar o que o Brasil acertou e o que o resto do mundo está tentando copiar.

O acerto regulatório

A primeira decisão importante foi tornar Pix mandatório pra todas as instituições de pagamento acima de determinado porte. Isso evitou o problema clássico de novos meios de pagamento: o consumidor não adota porque o comércio não aceita, e o comércio não aceita porque o consumidor não usa.

A segunda decisão foi gratuidade pra pessoa física. Transferências entre contas correntes, antes cobradas em DOC/TED, viraram instantâneas e sem custo. O incentivo de uso ficou óbvio.

A terceira foi padronização técnica. Todas as instituições integram via mesma API do Banco Central. Não há fragmentação como acontece em outros países onde cada banco lança seu próprio padrão.

A combinação rara

O que torna o Pix referência internacional é o conjunto: instantaneidade, gratuidade, ubiquidade, padronização e escala. Outros países têm um ou dois desses elementos. Poucos têm todos.

Sistemas similares existem na Índia (UPI), no Reino Unido (Faster Payments) e na União Europeia (SEPA Instant). Cada um tem virtudes próprias, mas o Pix combinou variáveis difíceis de juntar.

O que veio depois

A maturação do Pix abriu espaço pra novas funcionalidades. Pix Saque, Pix Troco, Pix Recebimento Programado e Pix Automático foram lançados em sequência. O Pix Garantido, em desenvolvimento, promete trazer crédito embutido na transação.

Cada nova camada é construída sobre a infra existente. O ganho marginal de cada extensão é alto porque a infraestrutura básica já está em todas as instituições.

A lição que outros buscam

Bancos centrais de vários países estão estudando o caso brasileiro. Equipes do Banco Central foram convidadas pra apresentações na Europa, na Ásia e na América Latina. O modelo é replicável, mas exige decisões políticas e técnicas que nem todo país consegue tomar.

Pro mercado brasileiro de fintech, o legado do Pix é claro. Ele virou plataforma, não produto. E sobre essa plataforma, novos negócios continuam aparecendo.

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