padlock on laptop with light trails
Foto: FlyD / Unsplash
Análise1 min de leitura

Cibersegurança virou linha do balanço, não item de TI

Fintechs brasileiras investem em segurança como diferencial competitivo, não apenas como obrigação regulatória.

Pedro Andrade

Editor-chefe

Cinco anos atrás, segurança em fintech era pauta de área técnica. Hoje aparece em reunião de conselho, em pitch de investimento e em capa de relatório de auditoria. A mudança não foi gradual. Foi puxada por incidentes que custaram caro e por regulação que ficou mais rigorosa.

A pressão regulatória

LGPD, normas do Bacen sobre tratamento de dados, exigências de ciber-resiliência em instituições de pagamento. Cada peça aumentou o custo de não estar conforme.

A diferença é que conformidade hoje não é só dizer "temos política". Auditor pede evidência, pen-test, plano de resposta a incidente. Quem não tem, paga multa ou perde licença.

O ataque que mudou a conversa

Casos públicos de vazamento e ransomware em instituições financeiras brasileiras criaram nova régua de medo. Conselheiros que ignoravam o tema passaram a perguntar com frequência. Investidores incluem cibersegurança em due diligence.

Em paralelo, seguros de cyber liability ficaram mais caros. Companhias passaram a exigir comprovação de controles antes de emitir apólice.

O que mudou na operação

Times de segurança cresceram. Função de CISO virou padrão até em fintech de médio porte. Monitoramento 24x7, threat intelligence, simulação de incidente passaram de luxo a baseline.

Segurança aplicada também ficou mais técnica. Zero trust, criptografia em camadas, segregação rigorosa entre ambientes. Investimento é constante, não pontual.

Onde fica a fronteira

O próximo capítulo envolve três frentes. Inteligência artificial usada como ferramenta de defesa (e de ataque). Compliance com normas internacionais crescentes (SOC 2, ISO 27001) virando padrão. Resposta a incidente coordenada entre instituições do setor.

Pra fintech brasileira que ainda trata cibersegurança como custo de TI, a mensagem é clara. O mercado mudou. Quem não acompanhar paga mais caro, em multa, em prêmio de seguro e em valuation.

leituras relacionadas